5 maneiras de melhorar o canto congregacional da sua igreja

Minha esposa, Kristyn, e eu recentemente retornamos de uma turnê onde tivemos o privilégio de compartilhar a nossa música em cidades por toda a América do Norte. Como fazemos em nossas turnês, nós fizemos uma parceria com a maioria dos nossos patrocinadores para organizar um almoço e um tempo de conversa com pastores locais, líderes de louvor e outros músicos de igreja.

Em cada um desses eventos de liderança, eu expus a questão: “Quais são as coisas que você pergunta a si mesmo na manhã de segunda-feira ao rever seus cultos de domingo?” Geralmente as respostas orbitam ao redor de valores de produção, questões estilísticas, gerenciamento de pessoal, agradar ao pastor ou terminar o culto a tempo. Eu não lembro de ninguém se perguntar: “Como a congregação cantou?”

Parece curioso que em uma geração que tem produzido inúmeras conferências, artigos, blogs e até programas de graduação universitária em “louvor”, o tópico do canto congregacional não tem sido levantado com mais frequência. Mas mesmo se estivéssemos discutindo a participação congregacional, nós saberíamos qual objetivo estamos visando alcançar a cada semana?

Eu não finjo ser qualificado para escrever um tratado teológico sobre esse assunto específico. O canto congregacional é um ato santo, e enquanto organizo os meus pensamentos, eu ouço o meu velho pastor, Alistair Begg, me lembrando que em nossa adoração musical, temos que estar espiritualmente vivos (mortos não cantam), espiritualmente auxiliados (através da capacitação o Espírito Santo), e espiritualmente ativos (comprometidos a caminhar diariamente com o Senhor).

Eu ofereço aqui alguns conselhos práticos para fortalecer o nosso canto congregacional, tirados tanto da nossa experiência como músicos quanto do que temos visto e aprendido em nossas viagens.

1. Comece com o pastor

Olhe para qualquer congregação que não é engajada em louvor através do canto e a mais consistente correlação é um pastor sênior igualmente desengajado. Em última análise, a batata quente para nele no louvor congregacional.

Todo pastor deve ser intimamente envolvido na linguagem colocada na boca da congregação, pois tal canto afeta, em última análise, como eles pensam, como se sentem, como oram e como vivem. A congregação deve ser tratada como aqueles que foram convidados para um banquete na mesa do Rei; não dê a eles junk food! C.S. Lewis acreditava que o canto completa a nossa fé, explicando em seu livro Reflections on the Psalms (Reflexões sobre os Salmos): “Penso que nos deleitamos em louvar o que desfrutamos, porque o louvor não meramente expressa, mas completa o desfrutar; o louvor é a consumação designada do desfrutar”. Eu creio que é por isso que muitos de nossos heróis pastorais como Martinho Lutero, Charles Spurgeon, J.C. Ryle e Philip Schaaf produziram hinários além da pregação e do ensino. Outros líderes como Horatius Bonar, Richard Baxter e João Calvino também escreveram hinos.

Pastores não apenas tem o dever de estarem envolvidos em se preparar para o tempo do canto congregacional, mas também têm a responsabilidade de pessoalmente ser modelo e demonstrar a importância do canto congregacional. Nós precisamos de pastores que constantemente se deleitam no canto de sua congregação e nos músicos que os servem e também alegre e autenticamente participam.

Pastores, assumam o seu dever nesse ato de adoração chamado canto congregacional. Líderes de louvor, orem pelo seu pastor fielmente e façam a sua parte em desenvolver um crescente relacionamento com ele. Os mais influentes líderes de louvor da história quase sempre tiveram relacionamentos próximos (embora frequentemente tensos) com seus pastores.

2. Cante grandes canções

Se o canto congregacional é um ato santo, e se somos o que cantamos, então não podemos ser preguiçosos em selecionar as canções. Devemos cantar grandes canções — canções que artisticamente exultem a Cristo com letras profundamente significativas e melodias que ficamos ansiosos para cantar. Melhor ter um pequeno repertório de grandes canções (que você cantará bem) do que um catálogo cheio de canções recicladas por razões sentimentais ou procuradas porque estão na moda.

Escrever ou selecionar grandes canções não é um exercício de propaganda ou marketing sentimental. Não é meramente depositar a verdade bíblica junto com qualquer melodia. É uma forma de arte que captura as nossas emoções e o nosso intelecto de maneiras misteriosas. Assim como um chef de cozinha experiente seleciona ingredientes que são ao mesmo tempo nutritivos, aromáticos e saborosos, a seleção de canções para o canto congregacional deve excitar em vários níveis.

Grandes canções passaram pelo teste do tempo. Elas foram passadas a nós por nossos pais, e nós devemos passá-las aos nossos filhos. Reúna qualquer grupo cristão e praticamente todos podem se unir a você cantando “Vencendo Vem Jesus¹” confiante e apaixonadamente. Somos atraídos a cantar grandes músicas, assim como somos atraídos a ficar em reverência diante de uma bela pintura.

Existem grandes canções novas — elas sopram ar fresco em nosso canto e nos ajudam a conectar verdades milenares com sons modernos. Elas são apropriadas também, embora mais difíceis de encontrar.

Recentemente convidei dois amigos incrédulos para um evento cristão. Os artistas no palco tocaram canções com letras interessantes, mas melodias terríveis. Eu perguntei aos meus amigos o que eles pensaram sobre o concerto. “Essas pessoas obviamente não levam o assunto muito a sério”, um amigo respondeu. Ora, eu sei por certo que isso não é verdade. Mas arte no fim das contas expressa vida, e canções de baixa qualidade não refletem crentes vivazes e sérios.

3. Cultive uma prioridade centralizada na congregação naqueles que lideram

Desde o indivíduo que lidera o canto à equipe de louvor na frente e aqueles de nós que acompanham como membros da congregação, é vital construir uma cultura onde todos percebam que a responsabilidade coletiva diante de Deus e diante uns dos outros é cantar juntos. Por toda a Escritura, o mandamento de cantar é dado ao povo de Deus mais de 400 vezes. Efésios 5.19 instrui os crentes a falar uns com os outros com “salmos, hinos e cantos espirituais”. Semana após semana, somos espiritualmente renovados, realinhados e santificados pelo canto ao Senhor e o canto uns aos outros como corpo de Cristo.

Infelizmente, algumas das igrejas com prédios mais novos e pastores de pensamento mais inovador são enfraquecidas substancialmente um canto congregacional confuso. É um testemunho horrível para os visitantes observar os crentes tão desinteressados no canto ao seu Criador e Redentor.

Muitos dos nossos desafios comuns — o baterista demasiadamente animado, a backing vocal que se acha uma diva, o membro do coral subversivo ou uma prioridade nada saudável no desempenho — podem ser corrigidos quando ensinamos e encorajamos aqueles que estão envolvidos com a música a serem animados quanto ao propósito de apoiar a congregação. Cada cantor, instrumentalista e membro do coro deve tomar parte de facilitar o alto chamado do canto congregacional.

4. Sirva a congregação através da excelência musical

A Escritura nos manda criar música que tanto é boa quanto excelente. Por exemplo, o Salmo 33 nos manda tanto “exultar no Senhor” quanto tocar os instrumentos “com arte” (versículo 3). Essa instrução é consistente com o nosso chamado comocrentes para trabalhar com o coração em tudo o que fizermos, como fazendo para o Senhor e não para homens (Colossenses 3.23). A música não precisa ser complexa ou de um estilo específico, mas devemos levar a sério o nosso papel em tal atividade santa. Essa liderança exige pessoas que são treinadas e bem preparadas. Assim como com todo trabalho que envolva criatividade (quer seja pregando, criando os filhos ou conduzindo um negócio), nós devemos constantemente buscar sermos puros, interessantes e conectados com as nossas congregações. Ouça a novas músicas, novos arranjos e novos sons. Examine nossa herança de liturgias para meditar em como ordenar o serviço do louvor. Esforce-se por mediar diferenças, encontrando-se com líderes de diferentes igrejas e denominações para aprender a respeito de suas seleções de canções.

Ao gravar para filmes, o compositor e os intérpretes usam toda a sua excelência musical em serviço da história. De maneira semelhante, os cantores e músicos devem trazer sua excelência musical em serviço da congregação. Não há dicotomia entre excelência musical e louvor congregacional desde que a excelência seja dada em serviço da congregação.

5. Gerencie o repertório da congregação de maneira intencional

Tendo progredido em cada uma das áreas cima e colocando-as em prática regular nos cultos, seja intencional quanto o que é cantado e quando é cantado. Não trate a sua biblioteca de escolhas congregacionais como se fosse selecionar “aleatório” no seu iPod. Em vez disso, seja intencional na ordem do culto, prestando atenção à advertência de Eric Alexander de que o louvor congregacional começa com Deus e a sua glória, não com o homem e a sua necessidade. Pergunte-se por que você está cantando em determinado ponto do culto e certifique-se de que a seleção para aquele momento é apropriada. Aprenda, também, da rica herança de liturgia e como ela fornece um caminho para ordenar as canções para um culto.

E, por último…

Por que não em 2014 começar a revisão da manhã de segunda-feira perguntando: “Como a congregação cantou”, e: “Como podemos ajudá-los a fazer melhor?” Começando aqui, podemos descobrir que as outras questões começam a se resolverem por si mesmas.

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Nota do editor: Keith e Kristyn Getty são compositores de hinos modernos com um aclamado repertório de hinos do século 21, reverenciados tanto por suas letras teologicamente perspicazes quanto por suas amadas melodias; muitos dos quais estão incluídos no CD Live at The Gospel Coalition gravado na Conferência Nacional TGC em abril do ano passado. Você também pode cantar com os Gettys e adorar a Deus junto com eles na Conferência Nacional para Mulheres The Gospel Coalition, de 27 a 29 de junho em Orlando, Flórida.

Keith Getty e sua esposa, Kristyn, estão na vanguarda do movimento de hinos modernos pela última década, fazendo uma ponte entre o tradicional e o contemporâneo.

Notas do tradutor: ¹O hino mencionado pelo autor é “Amazing Grace”, e foi substituído na tradução por “Vencendo Vem Jesus” por refletir melhor a realidade da cultura evangélica brasileira.

Extraído do site thegospelcoalition.org. Copyright © 2014 The Gospel Coalition. Original: Five Ways to Improve Congregational Singing. Usado com permissão.

Tradução: Alan Cristie. Copyright  © 2014 Voltemos ao Evangelho. Original: 5 maneiras de melhorar o canto congregacional da sua igreja

Dez Perguntas para Fazer Sobre a Letra de uma Música

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Escolher músicas para cantar na adoração pública é um negócio complicado. Todos na igreja parecem ter uma opinião. Então como um pastor ou uma equipe de presbíteros devem selecionar músicas que glorifiquem a Deus e sirvam ao corpo?

O estilo e a qualidade da música são importantes, é claro. Ainda assim, eu sugeriria que a letra é uma preocupação primária — então aqui estão dez perguntas para fazer sobre a letra de qualquer canção que você esteja considerando incluir na adoração pública.

1. A letra é verdadeira?

Cada canção é como um sermão. Um pregador deve estar comprometido em falar apenas aquelas palavras que reflitam precisamente a verdade bíblica. Da mesma maneira, as letras devem ser lidas cuidadosamente antes de serem selecionadas para se ter certeza de que elas também comunicam a verdade bíblica.

2. As letras são verdadeiras, porém, enganosas?

Letras que são tecnicamente verdade, mas podem ainda assim ser enganosas. Então não é o suficiente afirmar a veracidade da letra; sua clareza também é importante. Eu creio que a música de Brian Doerksen “Vinde, Agora é a Hora de Adorar” cai nesse campo. Primeiro, dizer que agora é a hora de adorar está certo, mas ainda assim isso leva as pessoas as pensarem que elas não estão adorando enquanto estão no carro indo para a igreja? Segundo, dizer “Vinde como estás” é tecnicamente correto, mas não corre o risco de ignorar a importante verdade de que devemos nos achegar a Deus com mãos limpas e um coração puro?

3. A letra é rica?

A maioria de nossas canções não deveria ter apenas um aperitivo teológico, mas um banquete. Felizmente, há uma demanda crescente por letras ricas, o que explica o renascimento dos hinos mais antigos, algumas vezes aplicados a novos estilos e até mesmo novas letras com maior profundidade teológica.

4. A letra é teocêntrica ou antropocêntrica?

Essa é uma ideia complicada. Algumas letras antropocêntricas tendem a se concentrar em nossa resposta ao caráter ou a obra de Deus — e elas podem ser muito apropriadas. Mas uma abundância de letras antropocêntricas pode dar à congregação uma pesada dose de moralismo e até mesmo desencorajamento.

Outras letras antropocêntricas tendem a se concentrar em como estamos nos sentindo, como vamos, ou o quão alegres estamos quanto a o que Deus tem feito. Embora isso possa ser apropriado, uma abundância desse tipo de música pode levar à superficialidade (estou cantando que me sinto ótimo quando na realidade, não me sinto) ou ao orgulho (eu sou o centro). Mas se a letra se concentra em Deus e no que ele tem feito, então somos retirados do nosso moralismo e do nosso orgulho e a letra começa a pregar verdade aos nossos corações, nos levando a pensar e sentir as coisas certas.

5. A letra louva a Deus por quem ele é, e não meramente por o que ele tem feito?

Nós deveríamos estar contentes em cantar frequentemente sobre o caráter de Deus e não meramente sobre sua obra. Deus é honrado quando cantamos seus atributos tanto quanto sobre suas ações. Cantar apenas sobre sua obra é dar a entender, mesmo sem a intenção, que Deus é bomporque ele me salvou. E embora isso seja verdade, também é verdade que Deus é bom porque ele é bom — e devemos reconhecer tal verdade na música.

6. A letra aborda explicitamente a obra expiatória de Cristo na cruz?

Embora nem toda canção mencione a cruz, a maior parte de nosso canto deve ser centralizado na cruz uma vez que isso é o que o torna cristão. Embora seja maravilhoso cantar os salmos, e nós devemos cantá-los, devemos estar cientes de que um bom judeu pode cantá-los se nem sempre abraçar seu pleno significado. A letra de nossas canções deveriam especificamente ensinar a congregação a respeito da expiação.

7. A letra é bonita?

Algumas composições são mais bonitas que outras. O que torna uma letra mais bonita que a outra é um tópico para outro dia. Mas vários fatores devem ser considerados: 1) o uso da rima e da assonância; 2) o uso de figuras; 3) o uso de elegantes versos inflados ou linguagem floreada; e 4) o uso de repetição.

8. A letra é compreensível?

Alguns dos antigos hinos são maravilhosos para estudantes de teologia que passam horas lendo os puritanos, mas podem deixar outros coçando a cabeça pensando: “Eu sei que eu deveria gostar disso, mas eu simplesmente não sei o que significa”. É aí que um bom líder de louvor faz toda a diferença. Trechos que são difíceis de entender podem ser explicados de antemão. Ou, simples mudanças podem ser feitas no texto contanto que a integridade do hino seja preservada.

9. A letra é familiar?

Enquanto é importante apresentar novas letras, toda congregação deve ter um cânon de letras bem gastas para as quais possam retornar regularmente. Assim como boa escrita recompensa a releitura, o canto repetido de boas letras podem levar seu significado mais profundamente ao coração.

10. A letra se encaixa no tema do dia?

A maioria das letras de música são apropriadas para qualquer culto. Você consegue encontrar qualquer texto de sermão na Bíblia onde não seria apropriado cantar sobre a santidade, o amor, a misericórdia de Deus ou a esperança no céu? É claro que não!

Ainda assim, cada letra tem uma ou duas claras ênfases. E devemos escolher letras que sublinharão o significado do texto que estamos prestes a ouvir ser pregado. Isso não deve ser feito simplesmente encontrando canções com “amor” no título se o tema do dia é o amor de Deus (embora títulos possam ser uma boa maneira de começar). É melhor fazer mais perguntas. Qual aspecto do amor de Deus estamos considerando naquele dia? Seu amor como Criador? Seu amor como Redentor?

Por: Aaron Menikoff ; Original: Ten Questions to Ask of a Song’s Lyrics.

Aaron Menikoff é pastor titular da Mount Vernon Baptist Church em Atlanta, Georgia.

Tradução: Alan Cristie. © 2014 Voltemos ao Evangelho. Original: Dez Perguntas para Fazer Sobre a Letra de uma Música.

AGRADEÇA A DEUS PELA MÚSICA

( Leitura: 2 Crônicas 5: 7-14 )

A música tem um papel muito importante na Bíblia. De Gênesis a Apocalipse, Deus recruta os músicos para trabalharem a seu favor. Ele usa a música para chamar o povo à adoração e para enviá-los à guerra, para acalmar ânimos e para acender a paixão espiritual, para celebrar vitórias e lamentar as perdas. A música é uma forma de arte totalmente inclusiva para todas as ocasiões. Há seguidores e líderes, canções simples e complexas, instrumentos fáceis ou difíceis de tocar, melodias e harmonias, ritmos acelerados ou lentos, notas agudas ou graves.

A música é uma metáfora maravilhosa para a igreja, pois todos participam com aquilo que fazem melhor. Todos nós cantamos ou tocamos notas diferentes em momentos distintos ao executarmos a mesma canção. Quanto melhor conhecermos nossa parte e melhor seguirmos o condutor, mais bela será a música.

O louvor é uma das melhores maneiras de utilizar a música. Quando o templo de Salomão estava pronto, os músicos louvaram e agradeceram a Deus. Enquanto faziam-no, “… a glória do Senhor encheu a Casa de Deus” (2 Crônicas 5:14).

Agradeçamos a Deus pela música bela, pois é como se fosse uma amostra do que será no céu, onde a glória de Deus habitará para sempre e onde o louvor a Ele nunca cessará. ( JAL )

“AQUELES QUE LOUVAM A DEUS NA TERRA SE SENTIRÃO EM CASA NO CÉU”.

(Texto extraído do livro PÃO DIÁRIO – 1ª edição e impressão 2013 – página 28